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Principais vítimas de assassinatos são adolescentes negros, do sexo masculino e que vivem em situação de pobreza
Segundo pesquisa, a possibilidade de um jovem negro ser assassinado é 2,78 vezes superior à de um jovem branco.
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Da redação do Jornal da Saúde
com informações da Agência EFE
Os novos dados do índice de homicídios na adolescência foram apresentados nesta quinta-feira (13) à tarde em entrevista coletiva. Eles revelam que três de cada mil adolescentes brasileiros são assassinados antes de completar os 19 anos. As principais vítimas de assassinatos são adolescentes negros, do sexo masculino e que vivem em situação de pobreza.
De acordo com projeções elaboradas pelos autores do estudo, pelo menos 36.735 brasileiros de entre 12 e 18 anos serão assassinados até 2016, em sua maioria por arma de fogo, em caso de se manter o atual ritmo de violência contra os jovens.
Trata-se do maior nível desde que o índice começou a ser medido em 2005, quando a taxa era de 2,75 adolescentes assassinados por cada mil.
O estudo foi realizado pela Secretaria de Direitos Humanos do governo federal, pelo Fundo das Nações Unidas Para a Infância, o Unicef, pelo Observatório de Favelas e pelo Laboratório de Análise da Violência da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.
O estudo concluiu que o homicídio é a principal causa de morte dos adolescentes no Brasil, com 45,2% dos casos.
Os jovens entre 12 e 18 anos representam quase 13% da população brasileira.
"Nos últimos anos se manteve o contraste entre a tendência a redução do número de homicídios entre a população brasileira em geral e o aumento do número de homicídios de adolescentes", denunciou o sociólogo Ignácio Cano, pesquisador da Uerj e um dos autores do relatório.
A pesquisa mostrou igualmente que os homens e os negros são a maior parte das vítimas da violência contra os jovens, em um país em que pouco mais da metade da população se declara descendente de africanos.
Segundo os dados de 2010, a possibilidade de um jovem de sexo masculino ser assassinado no Brasil é 11,5 vezes superior à de uma mulher da mesma idade. Da mesma forma, a possibilidade de um jovem negro ser assassinado é 2,78 vezes superior à de um jovem branco.
Os adolescentes têm 5,6 vezes mais possibilidades de morrer por armas de fogo que por outro tipo de arma. A pesquisa também constatou uma diferenciação segundo a cidade e a região onde a vítima vive, com um maior número de homicídios em regiões mais pobres.
O índice de homicídios de adolescentes foi de 0,94 por cada mil em São Paulo, o estado mais rico e povoado do Brasil, e de 9,07 por cada mil jovens em Alagoas, um dos estados mais pobres.
Em algumas cidades, como Itabuna, na Bahia, o índice foi de 10,59 adolescentes assassinados por cada mil. Em Maceió, a taxa foi de 10,15 mortes, e em Salvador, de 8,89 mortes. "A região nordeste se consolida como o maior polo de preocupação no país", afirmou Ignácio.
Edição online: Tina Szabados
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