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Pesquisadora da Fiocruz fala sobre oncocercose nas Américas

Notícias

Pesquisadora da Fiocruz fala sobre oncocercose nas Américas [28/10/2015]



Pesquisadora da Fiocruz fala sobre oncocercose nas Américas
Um agravo pouco conhecido, que atinge uma região isolada no meio da Floresta Amazônica
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Um agravo pouco conhecido, que atinge uma região isolada no meio da Floresta Amazônica. Este é o cenário brasileiro da oncocercose, doença considerada negligenciada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), engrossando o rol de agravos relacionados à pobreza. O Prêmio Nobel de Medicina deste ano contemplou pesquisadores responsáveis pela criação de novas terapias para o combate às verminoses, incluindo esta infecção, produzida pela filária Onchocerca volvulus e transmitida por meio da picada do popular borrachudo ou pium, espécie de simulídeo. Especialista no tema, a pesquisadora do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) Marilza Herzog discute os desafios para o processo de eliminação da doença que tem apresentado mais dificuldades do que nos territórios vizinhos.
 
Marilza pontua que, atualmente, o país abriga, juntamente com a Venezuela, o último foco da doença que ainda persiste nas Américas, localizado na Terra Indígena Yanomami, nos estados do Amazonas e Roraima. A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) previa como meta a interrupção da doença no Brasil até o final de 2015 – entretanto, este quadro parece não se concretizar no prazo previsto. Para a especialista, a história natural da doença no país é um dos principais fatores que dificulta a sua eliminação. “Aqui e no sul da Venezuela, a incidência está restrita a uma região totalmente silvestre, recoberta por densa floresta e rica em ambientes propícios aos criadouros dos borrachudos vetores. Além de ser isolada, a área é de difícil acesso e adversa às ações de saúde pública, diferentemente do que acontecia nos outros países do continente, que apresentavam focos periurbanos e rurais, ou até mesmo silvestres, mas com características mais viáveis”, explia a pesquisadora que é chefe do Laboratório de Simulídeos, Oncocercose e Infecções Simpátricas: Mansonelose e Malária do IOC. Ela destaca, ainda, a tradição nômade da população indígena atingida pela doença como outro fator de dificuldade na busca pela eliminação.
 
Em acordo firmado durante a 67ª sessão da Assembleia Mundial da Saúde, realizada em Genebra, na Suíça, em 2014, os governos do Brasil e da Venezuela assinaram memorando de entendimento se comprometendo a fortalecer e integrar ações para eliminação da doença na fronteira entre os países. Para atingir a meta de eliminação, atualmente são promovidas medidas preventivas, além de ações de caracterização epidemiológica do foco em área Yanomami. “Promover o acesso da população ao diagnóstico precoce e tratamento oportuno no âmbito da atenção primária da saúde é um importante desafio”, afirma Marilza. “A Floresta Amazônica é uma caixinha de surpresas para qualquer doença, portanto são necessários grandes esforços em saúde pública, com uma atuação conjunta que envolva pesquisadores, gestores e ações políticas”, complementa.
 
No continente americano, a busca pela eliminação do agravo teve intensificação, ainda na década de 1990, com a criação do Programa para Eliminação da Oncocercose das Américas. O Brasil é um dos seis países membros, ao lado de México, Equador, Colômbia, Guatemala e Venezuela. Destes países, onde a oncocercose se caracterizava na forma endêmica, México, Equador e Colômbia já cumpriram a meta de eliminação proposta pela Opas. O próximo a riscar a doença da lista é a Guatemala, que aguarda a visita técnica para receber o mesmo certificado. 
 
Lucas Rocha