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Pesquisa do Instituto Oswaldo Cruz localiza no país linhagem de vírus HTLV-1 antes restrita ao continente africano

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Pesquisa do Instituto Oswaldo Cruz localiza no país linhagem de vírus HTLV-1 antes restrita ao continente africano [16/01/2013]



Pesquisa do Instituto Oswaldo Cruz localiza no país linhagem de vírus HTLV-1 antes restrita ao continente africano

Laboratório deposita no GenBank sequência completa do genoma de microorganismos.
Brasil é líder em infectados por doenças associadas ao vírus linfotrópico da célula humana tipo 1
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Da Agência Fiocruz de Notícias
 
Ainda não há tratamento específico para as doenças associadas ao vírus linfotrópico da célula humana tipo 1 (HTLV-1), virose que pode ser transmitida sexualmente, de mãe para filho ou pelo sangue. Estima-se que, no mundo, entre 15 e 20 milhões de pessoas sejam portadoras – calcula-se que até 3 milhões delas estejam no Brasil. Em estudo inédito publicado no Journal of Virology, pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) fazem um alerta: o subtipo 1b, uma linhagem até então restrita a países da África Central, acaba de ser identificada no país.
 
O vírus foi encontrado no Rio de Janeiro pela equipe do Laboratório de Genética Molecular de Microorganismos do IOC, liderada pela pesquisadora Ana Carolina Paulo Vicente, em parceria com o laboratório Sérgio Franco Medicina Diagnóstica. O estudo também revelou, pela primeira vez, o genoma completo desta linhagem. “O fato de termos identificado uma linhagem da África Central mostra que a disseminção do vírus está em progresso e a nível global”, explica Ana Carolina. O Brasil tem motivos para se preocupar. Ainda de acordo com a especialista, desde 1992 estima-se que o país tenha o maior número absoluto de infectados do mundo. Apesar de apenas 5% dos pacientes desenvolverem doenças, ainda não há tratamento específico para estes agravos – ao contrário do que ocorre com o HIV-1, que também é um retrovírus. Dentre os quadros clínicos mais graves, estão a leucemia de células T e a mielopatia associada ao HTLV-1, também conhecida como paraparesia espástica tropical.
 
Ainda de acordo com Ana Carolina, a maioria dos portadores costuma descobrir a infecção quando doa sangue, pois desde 1990 é obrigatória a realização de triagem sorológica para HTLV nos voluntários. No entanto, a especialista defende que a vigilância epidemiológica do vírus ainda precisa ser aperfeiçoada. “A comunidade científica vem lutando para que o teste seja incorporado no protocolo de atendimento a gestantes, pois uma das principais formas de transmissão do vírus é de mãe para filho e, principalmente, pela amamentação, o que poderia ser facilmente controlado”, conta.
 
A sequência completa do HTLV-1b SF26 foi depositada no banco de dados mundial GenBank. São conhecidos sete subtipos genéticos do HTLV-1 (a-g), mas apenas o 1a, mais recorrente e conhecido como Cosmopolita, e o 1c, chamado de Melanésio, já haviam sido revelados. O mapeamento do genoma teve financiamento do edital SUS/Faperj para o Diagnóstico Molecular de Doenças Infecciosas, que também envolve pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e do Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE). O Centro Nacional de Referência para Paraparesia Espástica Tropical do Instituto de Pesquisa Clínica Evandro Chagas (Ipec/Fiocruz) também é parceiro em projetos sobre HTLV desenvolvidos pela equipe liderada por Ana Carolina.
 
 
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