País atinge meta per capita de oferta de hemoderivados [19/08/2015]
País atinge meta per capita de oferta de hemoderivados
Atualmente, cerca de 12 mil hemofílicos fazem tratamento gratuito pelo SUS com medicamentos como o Fator VIII Recombinante
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O Brasil está entre os países que mais ampliou a assistência aos pacientes com doenças do sangue (coagulopatias). Neste ano, o país atingiu a meta definida pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que preconiza o consumo de hemoderivados de 3,0 unidades internacionais (UI) per capita. Isso significa que mais pacientes portadores de hemofilia estão tendo acesso a medicamentos na rede pública de saúde, como o Fator VIII plasmático, Fator VIII Recombinante e Fator IX. Para este ano, o Ministério da Saúde irá investir quase três vezes mais que o total gasto em 2008, passando de R$ 234 milhões para cerca de R$ 880 milhões.
Juntamente com o aumento do investimento também houve crescimento na disponibilidade e no consumo de medicamentos para tratamento de hemofilia. No caso do Fator VIII, em 2008, foram consumidos 203,9 milhões de UI, enquanto que em 2014 foram utilizadas 562,3 milhões de unidades entre as formas plasmática e recombinante. Até junho deste ano foram distribuídas 288,7 milhões de unidades, tendo sido consumidas 265,1 milhões de unidades, representando 3 UI per capita. Desde a implementação, em 2012, de diferentes tratamentos para a hemofilia, inclusive preventivos, o Ministério vem distribuindo um quantitativo superior ao consumo da população, evitando o desabastecimento de hemoderivados para os pacientes atendidos pelo SUS.
“Desde 2013, o Brasil vem ampliando significativamente o acesso aos pacientes hemofílicos ao tratamento, a partir da introdução do Fator VIII Recombinante associado ao Fato VIII Plasmático. Podemos assegurar que não há falta de fatores de coagulação no país. Este ano, inclusive, o Ministério da Saúde está complementando o orçamento em aproximadamente R$ 300 milhões para ampliar a compra de fatores de coagulação”, afirma o coordenador-geral de Sangue e Hemoderivados do Ministério da Saúde, João Baccara.
Atualmente, cerca de 12 mil hemofílicos brasileiros fazem tratamento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Para o cálculo da necessidade dos fatores de coagulação para a população brasileira é considerada a proporção populacional de 3,0 UI per capita, podendo haver, se necessário, eventuais ajustes e complementações nos quantitativos mensais enviados a cada estado, a partir do estoque estratégico do Ministério da Saúde. O Brasil é um dos poucos países do mundo com uma política específica para as coagulopatias. Países como, Argentina, Costa Rica, Polônia e Turquia também fazem uso da mesma proporção brasileira.
Desde 2004, por meio da Coordenação-geral de Sangue e Hemoderivados, o Ministério da Saúde desenvolve uma política de atenção aos pacientes com coagulopatias hereditárias, trabalhando tanto no fornecimento de pró-coagulantes quanto na promoção da assistência prestada a estes pacientes. O Ministério realiza o controle dos estoques nos estados por meio do sistema Hemovida Web Coagulopatias (módulo de controle de estoques), que dispõe de diversas informações técnicas referentes ao controle de estoque e infusões, cujo preenchimento é realizado pelos gestores estaduais da hemorrede.
A hemofilia é uma doença hemorrágica, de origem genética, que pode levar, entre outras dificuldades, a perda de mobilidade do paciente. Traumas – até os mais leves que ocorrem na vida de qualquer criança – podem causar hemorragias graves e que ameaçam a vida ou causam sequelas. Atualmente existem cerca de 12 mil hemofílicos são assistidos pelo SUS, 10 mil deles com hemofilia A e 2 mil com hemofilia B. Desse total, 4,3 mil são portadores da forma grave da doença, caracterizada por sangramentos em uma ou mais articulações, que pode levar ao dano articular e em alguns casos à invalidez.
Amanda Mendes
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