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(Foto: Vilar Rodrigo/Wikimedia Commons)

Novo índice aponta que desigualdades sociais em saúde se aprofundaram na pandemia [01/07/2022]



evidência a isso. E o índice tem como função dar uma forma de mensuração das desigualdades”, afirma a epidemiologista Emanuelle Góes, pesquisadora associada ao Cidacs e que fez parte da equipe de construção do IDS-Covid-19, explicando como se inseriu o racismo estrutural como categoria de análise no índice.

Região Norte concentrou maior proporção de municípios nas piores situações de desigualdades

Após a primeira onda da pandemia de Covid-19, somente 3% dos municípios da Região Norte conseguiram reduzir as condições de desigualdades em saúde, segundo dados do IDS-Covid-19. Em uma comparação com municípios da Região Sul, por exemplo, 8% deles apresentaram redução das desigualdades. 

Os dados do índice também mostram que nos quatro momentos medidos mais de 90% dos municípios da Região Norte ficaram na pior classificação quanto ao nível de desigualdades sociais em saúde. Na Região Nordeste, em fevereiro de 2020, quase todos os municípios, 99%, estavam nos dois piores grupos com relação à situação de desigualdades sociais em saúde. No entanto, ao longo da pandemia, a região apresentou uma redução nessa condição com 95% em julho de 2020, 93% em março de 2021 e 92% em janeiro de 2022.

Municípios do Centro-Oeste apresentam diferentes níveis de desigualdade

Uma das características dos municípios da Região Centro-Oeste é a distribuição deles em diferentes níveis de desigualdade, segundo os cálculos do IDS-Covid-19. No entanto, ainda há um maior volume de locais classificados nos dois piores grupos com relação à situação de desigualdades sociais em saúde. 

Em uma escala de 1 a 5, com 1 para menos desigual e 5 para mais desigual, a Região tinha 134 municípios no grupo 3, 270 municípios no grupo 4 e 51 no grupo 5 antes do início da pandemia. Dos municípios que estavam nos grupos 4 e 5, 76% deles mantiveram a situação de desigualdade social em saúde na comparação entre fevereiro de 2020 e janeiro de 2022. O destaque vai para as capitais do Centro-Oeste, além de Brasília, que mantiveram suas respectivas situações de menor nível de desigualdade desde o início da pandemia até o último momento analisado, em janeiro de 2022.

Sudeste concentra níveis intermediários

De acordo com dados do IDS-Covid-19, a distribuição de municípios quanto à classificação pela situação de desigualdade social em saúde esteve mais concentrada entre os níveis intermediários no Sudeste. Em Minas Gerais, no início da pandemia, 50% dos municípios foram classificados nos dois últimos grupos, com pior situação de desigualdade, e 33% em uma posição intermediária. Por outro lado, em São Paulo 41% dos municípios estavam nos agrupamentos com menor nível de desigualdade e 11,3% nas duas piores posições. No Rio de Janeiro, dos 92 municípios que compõem o estado, 39 iniciaram a pandemia nas piores situações relativas às desigualdades, segundo o índice, e 28 deles mantiveram o lugar ao longo dos períodos analisados pelos pesquisadores.

Sul tem melhora na situação desigualdades sociais em saúde

No Sul, o IDS-Covid-19 mostra uma ligeira redução das desigualdades. A Região não teve nenhum dos 1.188 municípios classificados (3 deles não foram incluídos na pesquisa) no pior agrupamento antes da pandemia (fevereiro de 2020). Além disso, do último momento analisado (janeiro de 2022) para o período antes da pandemia, 196 municípios reduziram as desigualdades, de acordo com o índice. Por outro lado, entre os 84 municípios que estiveram classificados na lista dos mais desiguais da Região Sul no início da pandemia, 65 permanecem nessa condição. 

O IDS-Covid-19

O projeto faz parte do Grand Challenges ICODA pilot initiative, promovido pelo Health Data Research UK e financiada pela Fundação Bill & Melinda Gates e Fundação Minderoo. Contou com a participação de 40 gestores e membros da sociedade civil marcam construção do IDS-Covid-19, entre representantes da área de gestão pública, representantes de entidades e associações de comunidades, pesquisadores e jornalistas. Cada um destes grupos participou de algumas atividades que permitiram o encontro e diálogo com os pesquisadores. Durante os grupos de discussão, as reuniões técnicas e webinários, os públicos foram consultados sobre os caminhos adotados na construção do IDS-Covid-19.

Adalton dos Anjos (Cidacs/Fiocruz Bahia)
Agência Fiocruz de Notícias