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MS lança guia para a construção de indicadores em Saúde Ambiental

Notícias

MS lança guia para a construção de indicadores em Saúde Ambiental [17/11/2011]



MS lança guia para a construção de indicadores em Saúde Ambiental

Um dos grandes desafios atuais colocados para a saúde pública e, principalmente, para a saúde ambiental, é a estruturação de sistemas de monitoramento e vigilância que permitam antecipar e prevenir as consequências das mudanças ambientais para a saúde humana. Para ajudar na identificação dos efeitos ambientais nocivos à saúde humana e na elaboração de estratégias de promoção da saúde e de prevenção e controle de riscos, a Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde (SVS/MS) lançou a publicação Saúde Ambiental: Guia Básico para a Construção de Indicadores, produzida pelo Departamento de Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador (Dsast/SVS/MS), em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a Organização Pan-Americana da Saúde no Brasil (Opas/OMS).

De acordo com o pesquisador da Fiocruz e organizador do livro Carlos Machado de Freitas, a publicação sistematiza e apresenta de modo didático e com exemplos a metodologia para construção de indicadores em saúde ambiental desenvolvida pela Organização Mundial de Saúde. Segundo Freitas, esta metodologia é uma das ferramentas utilizadas para analisar a situação de saúde ambiental e fornecer subsídios para os processos decisórios e de políticas públicas em saúde ambiental.

A metodologia é baseada em um conjunto de indicadores que vão das forças motrizes aos efeitos. As forças motrizes - a política e a economia que orientam um modelo de desenvolvimento - geram pressões sobre o meio ambiente através dos diversos setores das atividades econômicas, como transporte e produção, que alteram a situação ambiental, como a qualidade do ar e da água, e geram exposições onde vivem e trabalham as pessoas, resultando em efeitos diretos e indiretos, de curto, médio e longo prazos - sinais, sintomas, doenças, agravos. Portanto, as ações devem acontecer em todas as camadas, das forças motrizes aos efeitos.

"Por exemplo, na crise econômica, favorecer a produção e venda de carros resultou em mais carros nas ruas e em maior pressão ambiental, pois mais carros significa maior volume de emissões atmosféricas.  Este grande volume de carros, passando mais tempo no trânsito, emite mais poluentes, deixando o ar ainda mais poluído e alterando a situação ambiental. As pessoas que vivem, trabalham e circulam pessoas nos lugares onde há maior volume de carros e de emissões atmosféricas passam muitas horas expostas à estes poluentes, o que resulta em efeitos como doenças respiratórias, que afetam principalmente crianças e idosos, e cardiovasculares, assim como os acidentes de trânsito.  Isto exige desde ações que cuidem dos doentes e acidentes até o elo maior da cadeia, como planejamento urbano das cidades e a melhoria do transporte público e menos poluente. Os indicadores servem para acompanhar estas políticas e orientar tomadas de decisões", explica.

Destinado aos profissionais e gestores que atuam na vigilância em saúde ambiental, o livro é ricamente ilustrado com gráficos e mapas e é dividido em três partes. A primeira parte traz os conceitos gerais que fundamentam a construção dos indicadores ambientais e de saúde, as definições básicas, critérios, propriedades e fontes que permitem montar a sua ficha de qualificação. Os demais capítulos destacam os modelos de construção, organização e análise dos indicadores de saúde ambiental; os critérios de aplicabilidade, em que são explicadas as diferenças entre os indicadores de saúde e os ambientais; os critérios e os fundamentos para a construção de indicadores em saúde ambiental. O Guia conta, ainda, com recomendações de leituras na área da saúde ambiental.

O livro tem apresentação de Diego Victória, da Opas, Jarbas Barbosa da Silva Jr., da SVS/MS e Valcler Rangel Fernandes, vice-presidente de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde da Fiocruz. O prefácio é de Carlos Corvalán, da Opas, e a introdução de Guilherme Franco Netto, diretor do Dsast/MS e Ary Carvalho de Miranda, pesquisador do Centro de Estudos da Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz).

Baixe o livro em PDF aqui.