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INCA adere ao Outubro Rosa e promove encontro para sociedade civil e pesquisadores

Notícias

INCA adere ao Outubro Rosa e promove encontro para sociedade civil e pesquisadores [07/10/2013]



INCA adere ao Outubro Rosa e promove encontro para sociedade civil e pesquisadores

Evento reuniu profissionais da saúde e representantes do governo

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Em adesão ao Outubro Rosa, movimento internacional pela detecção precoce do câncer de mama, o INCA organizou o encontro "Fortalecendo Laços para o Controle do Câncer". As discussões do primeiro dia reuniram profissionais de saúde e representantes do governo, da sociedade civil e de movimentos de mulheres. No segundo e último dia, o foco foram as pesquisas sobre a doença, em seus diferentes segmentos: básica, translacional, clínica e epidemiológica.  O evento foi o primeiro do INCA a ser transmitido pela Rede Universitária de Telemedicina

Na abertura, Lilian Marinho, da Comissão Intersetorial da Saúde da Mulher do Conselho Nacional de Saúde, destacou a importância de as mulheres serem bem informadas a respeito do câncer de mama e terem garantido seu tratamento. "A universalidade do Sistema Único da Saúde não alcança todas as cidades. Em algumas cidades, é necessário um percurso dramático para a mulher conseguir ser atendida", revelou.

Liliane Brum, da Área Técnica da Saúde da Mulher do Ministério da Saúde, disse que "um dos eixos da nossa política de saúde da mulher é fortalecer os programas de controle de câncer". Ela também ressaltou a importância da aproximação com o INCA e o compromisso da área da Saúde da Mulher com o programa de controle do câncer, notadamente no que se refere à informação e ao acesso do sistema de saúde.

O diretor geral do INCA, Luiz Antonio Santini, enfatizou a relevância de o encontro estar sendo transmitido ao vivo pela Rede Universitária de Telemedicina (RedeRUTE). "Desde o primeiro ano em que o INCA participou do Outubro Rosa, em 2010, o objetivo era trazer para a sociedade aquilo que já temos de conhecimento. E a partir dele, lutar para alcançar os resultados possíveis."

Foi apresentada a campanha que o Instituto Nacional de Câncer (INCA) e o Ministério da Saúde criaram para a detecção precoce do câncer de mama, estrelada pela atriz e cantora Zezé Motta. Zezé agradeceu pela oportunidade de participar de uma campanha tão importante e revelou que vai levantar esta bandeira em todas as oportunidades que tiver. "Milito em vários movimentos sociais e depois que descobri a relação entre o tabagismo e o câncer de mama, já articulei com o grupo que faz palestras sobre os malefícios do tabaco nas escolas, que as mães dos alunos também participem desses encontros, pois será uma oportunidade para falar também sobre a relação cigarro-câncer de mama e sobre a detecção precoce da doença."

A importância da informação - O primeiro dia do encontro foi dedicado a debater as 14 recomendações propostas pelo INCA nos anos 2010 e 2011 por ocasião do Outubro Rosa. As recomendações foram agrupadas de acordo com seu tema central: informação, detecção precoce, adequação do tempo para início do tratamento e humanização do tratamento. Para cada grupo, um representante do INCA e um convidado fizeram apresentações e responderam a perguntas da plateia.

O debate inicial teve como convidada a jornalista Clarissa Thomé, do jornal Estado de S. Paulo, que mostrou como as informações sobre câncer de mama têm chegado à população, desde as primeiras décadas do século XX. Mônica Assis, da Divisão de Detecção Precoce e Apoio à Organização de Rede do INCA, que coordenou o debate, mostrou os materiais criados pelo Instituto para esclarecimento da população para a prevenção e a detecção precoce d doença.

A questão da detecção precoce de forma ágil e de qualidade foi abordada por Ronaldo Correa, do INCA, e pelo representante do Hospital Pérola Bygton (SP) Luiz Henrique Gebrim. Correa salientou que, proporcionalmente, tem mais mulheres fazendo mamografia do que o exame clínico das mamas (ECM), que tem acesso muito mais fácil, já que é feito por médicos e enfermeiros treinados, sem necessidade de equipamento e sem expor a mulher, desnecessariamente, a altas doses de radiação.

"Os mamógrafos convencionais que geram imagem digital chegam a expor a mulher a doses de radiação quatro vezes superiores à quantidade máxima recomendada", advertiu. Outro ponto destacado por Ronaldo foi que mulheres com patologias benignas e malignas competem, na rede pública, pelos mesmos recursos diagnósticos.

Alternativas para adiantar o início do tratamento - Luiz Gebrim relatou a experiência do Hospital Pérola Bygton, que num mesmo dia, faz a triagem, a mamografia e a biópsia dos casos suspeitos de câncer, reduzindo drasticamente o tempo de início do tratamento. Enquanto nas unidades básicas de saúde, a média é de 180 dias, no HPB é de 73 dias. Nos cinco anos em que vem fazendo este tipo de atendimento, foram triadas 45 mil mulheres e descobertos 5 mil casos de câncer.

Carlos Frederico Lima, médico do Hospital do Câncer III, unidade do INCA especializada no tratamento do câncer de mama, trouxe propostas para reduzir o tempo que a mulher gasta desde a observação de alguma alteração na mama até conseguir o encaminhamento para o tratamento, caso seja diagnosticado um tumor maligno.

"Ela precisa marcar a consulta no posto de saúde, conseguir o encaminhamento para um especialista, que vai fazer o pedido da mamografia, marcar a mamografia, fazer o exame, pegar o laudo, marcar outra consulta com o especialista, marcar e fazer a biópsia e, em caso positivo, passar pelo pré-operatório e aguardar a cirurgia", relacionou.

De acordo com o levantamento do próprio HC III, entre julho e setembro foram recebidas 265 pacientes e apenas 37 iniciaram o tratamento até 60 dias. Em compensação, a primeira aplicação de radioterapia caiu de 124 dias, em julho, para 72 dias em setembro, com a criação do terceiro turno de atendimento. José Getúlio Martins Segalla, do Hospital de Jaú, disse que na cidade do interior paulista os radioterapeutas já trabalham em quatro turnos. "O quarto turno de sexta-feira vai até meio-dia de sábado", contou.

INCA