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Fiocruz testa mais uma alternativa para o controle da dengue
Projeto importado da Austrália usa bactéria bloquear a transmissão do vírus
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da redação do Jornal da Saúde
com Informações da Agência Fiocruz
Um projeto importado da Austrália para combater a dengue no Brasil pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) já está em andamento. A ideia é que a estratégia se torne uma das alternativas para o controle da doença no país.
O projeto Eliminar a Dengue: Desafio Brasil é uma iniciativa científica pioneira em andamento em cinco países. A nova estratégia de pesquisa para o controle da doença utiliza a bactéria Wolbachia para bloquear a transmissão do vírus da dengue pelo mosquito Aedes aegypti, de forma natural e autossustentável. Atualmente, equipes de Entomologia de Campo e de Engajamento Comunitário atuam em quatro localidades nas cidades do Rio de Janeiro e em Niterói. Os bairros de Vila Valqueire, Urca, Tubiacanga e Jurujuba participam de estudos para a realização de futuros testes de campo, com a soltura de mosquitos com Wolbachia.
Já está comprovado que essa técnica é eficaz para prevenir os quatro tipos de dengue e também que a bactéria wolbachia não causa nenhum risco à saúde humana. A estratégia também está sendo utilizada pela Austrália, China, Indonésia e Vietnã.
As equipes de Entomologia de Campo e de Engajamento Comunitário contam com o apoio de um grupo de especialistas em modelagem matemática, que desenham modelos dedicados a prever a dispersão dos mosquitos na fase de soltura. “Estas equipe realizam os trabalhos de campo semanalmente nas áreas estudadas. Os mosquitos de cada localidade estão sendo analisados com base da captura em armadilhas especiais, que estão instaladas nas residências de 120 moradores voluntários, os chamados ‘anfitriões’ do projeto”, ressaltou. “A transparência junto aos moradores é uma prioridade. Por isso, esforços têm sido dedicados a garantir a informação e esclarecimento dos parceiros locais”, completou o especialista.
Nos laboratórios da Fiocruz, os mosquitos Aedes aegypti coletados nas localidades estudadas foram cruzados com mosquitos com Wolbachia importados da Austrália com a autorização do Ibama. Eles deram origem a ovos que nascem naturalmente com Wolbachia. Os primeiros resultados comprovam o sucesso da experiência e os novos ovos são armazenados para a realização dos testes futuros. Após a aprovação regulatória junto aos órgãos competentes, serão realizados os testes em campo, com a soltura de Aedes aegypticom Wolbachia nas áreas estudadas. “Os mosquitos foram estudados para verificação da sua capacidade de se reproduzir com os mosquitos locais, gerando populações de mosquitos com Wolbachia. Agora, estamos verificando se eles bloqueiam os vírus dengue que circulam no Brasil”, explicou Moreira.