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Estudo aponta altas taxas de infecção por DSTs em homens que fazem sexo com homens

Notícias

Estudo aponta altas taxas de infecção por DSTs em homens que fazem sexo com homens [13/11/2014]



Estudo aponta altas taxas de infecção por DSTs em homens que fazem sexo com homens
A alta frequência do HIV entre HSH é um resultado que vem se repetindo em diversas pesquisas realizadas nos últimos anos
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Um estudo coordenado pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) aponta para a necessidade de ações de prevenção a doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) voltadas para homens que fazem sexo com homens – grupo conhecido como HSH. Publicada na revista científica Plos One, a pesquisa encontrou altas taxas de infecções em um grupo de cerca de 600 voluntários da cidade de Campinas, em São Paulo. O levantamento revelou que 40% deles já tinham sido expostos a pelo menos um dos dois tipos de HPV (papilomavírus humano) mais associados a alguns tipos de câncer. Além disso, 8% foram diagnosticados com HIV – um percentual quase 20 vezes maior que o encontrado na população brasileira em geral – e 11% já haviam sido infectados com hepatite B – uma prevalência aproximadamente dez vezes acima da média para a região pesquisada. 
 
Para traçar um panorama fiel das doenças sexualmente transmissíveis entre HSH, o estudo envolveu cientistas de seis laboratórios do IOC/Fiocruz, que integram a área de pesquisa em DST. Também colaboraram pesquisadores do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz), do Laboratório Municipal de Patologia Clínica de Campinas e da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos. Além de HPV, HIV e hepatite B, o grupo investigou a ocorrência de hepatite C e infecção pelo vírus HTLV. O esforço conjunto conseguiu detectar que mais da metade dos voluntários tinha pelo menos uma infecção e quase 30% apresentavam uma sobreposição de duas ou mais DSTs. “Nesse grupo de difícil acesso para pesquisas, conseguimos estudar diversas infecções unindo as especialidades dos diferentes laboratórios”, destaca a virologista Selma Gomes, pesquisadora do Laboratório de Virologia Molecular do IOC e coordenadora da pesquisa.
 
O trabalho contou com uma metodologia especial para recrutar voluntários. Trinta homens, incluindo ativistas de organizações LGBT e frequentadores da Parada Gay de Campinas, foram chamados pelos pesquisadores a participar do estudo e convidar outros três voluntários. Durante um ano, cada novo participante indicou até três indivíduos para a pesquisa, em uma estratégia de amostragem conhecida como recrutamento dirigido pelo participante, similar a uma ‘bola de neve’. “Essa metodologia tem se mostrado eficiente para acessar populações cujos comportamentos são estigmatizados, pois a captação é feita pelos próprios pares, que conseguem localizar melhor estes indivíduos”, explica a epidemiologista Adriana Pinho, pós-doutoranda do Laboratório de Educação em Ambiente e Saúde do IOC.
 
A alta frequência do HIV entre HSH é um resultado que vem se repetindo em diversas pesquisas realizadas nos últimos anos. No entanto, o estudo coordenado pelo IOC foi além deste resultado, mostrando como o vírus está avançando entre os HSH. As pesquisadoras Mariza Morgado, chefe do Laboratório de Aids e Imunologia Molecular do IOC, e Sylvia Teixeira, do mesmo laboratório, utilizaram técnicas mais sofisticadas de análise laboratorial para identificar os pacientes com infecção recente. As cientistas verificaram que mais de um quarto dos soropositivos tinha contraído o vírus há menos de seis meses, apontando para uma taxa anual de infecção de quase 5%. “Isso significa dizer que cinco em cada cem pessoas deste grupo estão contraindo o vírus por ano. É uma incidência muito alta”, avalia Mariza. “O recrudescimento da Aids nesta população é um fenômeno que está ocorrendo em grandes capitais do mundo. De certa forma, é como se a doença voltasse a ter um perfil semelhante ao começo da epidemia, nos anos 1980, quando homens que fazem sexo com homens foram os mais atingidos nos países desenvolvidos”, acrescenta.
 
Maíra Menezes
 
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