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Diretor eleito da Opas convida Fiocruz para somar esforços na equidade de países na ONU

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Diretor eleito da Opas convida Fiocruz para somar esforços na equidade de países na ONU [10/10/2022]



Durante participação em seminário organizado pela Fiocruz nesta quarta-feira (5/10), o novo diretor eleito da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas/OMS), Jarbas Barbosa, citou desafios na região, como os efeitos da pandemia, a persistência de doenças transmissíveis, a necessidade de fortalecer a atenção primária e a produção de insumos como vacinas na região. O médico sanitarista brasileiro falou ainda sobre as intenções de cooperação entre as Américas e a África e convidou a Fiocruz a se juntar em um esforço para garantir, a partir de capacitação, por exemplo, a equidade de representantes de todos os países da região na agência das Nações Unidas.   

Jarbas foi recebido na edição desta semana dos Seminários Avançados em Saúde Global e Diplomacia da Saúde do Centro de Relações Internacionais em Saúde (Cris/Fiocruz) pela presidente da Fundação, Nísia Trindade Lima. Ela ressaltou a relevância do curso de saúde global - do qual o seminário faz parte - e saudou o novo diretor, reforçando o compromisso da Fiocruz de empenhar-se na efetivação de uma agenda em prol dos objetivos que a plataforma de candidatura de Jarbas apresentou.   

Nísia ressaltou que Jarbas assumirá o cargo em fevereiro de 2023, um período em que a Fiocruz intensificará sua agenda de discussões sobre produção local de vacinas, diagnósticos, medicamentos e outros insumos de saúde com a realização de um grande seminário internacional. A presidente reiterou que as boas vindas dadas no webinar são "sobretudo, a afirmação de um caminho a ser construído; um caminho, que, durante o período em que Jarbas esteve ao lado da Dra. Carissa Etienne [diretora atual da Opas], na liderança dessa importante organização, e que pudemos reforçar uma estratégia, seja para temas históricos na cooperação e afirmação regional da América Latina, seja dos desafios postos no enfrentamento a pandemia”.

Nísia ressaltou os aprendizados que a pandemia pode ter deixado: “a importância das instituições, de sistemas de saúde fortalecidos, dos sistemas universais e da garantia da equidade no campo da ciência, tecnologia e inovação. A promoção de esforços, no sentido da produção local na nossa região, é fundamental e isso tem a ver com as aspirações de outras regiões como a África e a Ásia”.  

Sobre a gestão de Jarbas, Nísia disse que o desenvolvimento e a equidade no Sul global e no eixo para cooperação Sul-Sul e Sul-Norte-Sul serão aspectos fundamentais. Segundo ela, há muitas iniciativas que o novo diretor liderou e seguirá implementando, como a plataforma para produção de insumos e a garantia de acesso equitativo na região. “Fico muito orgulhosa quando aparece o fato de Jarbas ser um egresso da Escola Nacional de Saúde Pública [Ensp/Fiocruz] e da Fiocruz de Pernambuco. Você certamente continuará essa bela trajetória em um momento tão crucial, de recuperação dos países e de necessidade de fortalecimento da agenda da saúde coletiva”, concluiu Nísia. 

Maior equidade e cooperação

Jarbas agradeceu Nísia e elogiou sua liderança ao colocar a Fiocruz “na vanguarda da saúde pública da região e do mundo”, citando, por exemplo, a conclusão “em tempo recorde” da transferência de tecnologia para produção da vacina 100% nacional contra a Covid-19 e a participação no hub de desenvolvimento de vacinas RNAm. 

Sobre o tema do seminário - Agendas políticas da saúde nas Américas e na África -, Jarbas afirmou que os sistemas de saúde precisam, primeiro, terminar a pandemia e não baixar a guarda. Segundo ele, deve-se estar vigilante, aumentar a vacinação, principalmente nos grupos mais vulneráveis, e garantir o acesso equitativo aos novos antivirais. “É importante também implementar todas as lições que aprendemos com a pandemia, desde o fortalecimento da capacidade local para detecção e resposta às emergências de saúde pública, até a utilização das novas plataformas, como a teleconsulta, para eliminar barreiras e aumentar o acesso aos sistemas de saúde; como podemos tornar os sistemas de saúde mais resilientes; fortalecer a atenção primária para que possa responder ao complexo quadro epidemiológico que temos hoje, com doenças transmissíveis que persistem, como a malária, a a inaceitável proporção de mortes preveníveis por doenças crônicas não transmissíveis que ainda ocorrem porque não temos atenção primária adequada para detectar e tratar”.

Jarbas citou ainda problemas como mortes por violência e acidentes, além dos impactos na saúde das mudanças climáticas. O tema trazido por Nísia, sobre autonomia e produção de insumos como vacinas e medicamentos na região, também foi abordado por Jarbas, que apontou exemplos de cooperação nesse sentido, como o hub de vacinas RNAm na África do Sul e na América Latina e Caribe, sendo um estabelecido na Fiocruz.  

Jarbas enfatizou o interesse de fortalecer a parceria entre a Opas e a Fiocruz e parabenizou o Cris/Fiocruz pelos diálogos estabelecidos com outros países. Ele afirmou ainda que tem como uma das metas de sua gestão aumentar a representatividade na Opas, tanto em termos de gênero como dos países e sub-regiões. “Convido o Cris a termos um diálogo para além dos cursos que o Cris faz atualmente para outras iniciativas que priorizem os países hoje sub-representados na América Latina e no Caribe, para que, com experiências de viagens, participação em eventos e treinamentos em campo, esses países possam ter condições de participar e que tenhamos uma organização mais equitativa. Isso nos fortalece na medida em que traz diferentes vozes e necessidades”, afirmou Jarbas, ressaltando que sua candidatura é uma mensagem de que é possível colaborar mais com as regiões.

Coordenador do Cris/Fiocruz, Paulo Buss, que media o webinar, classificou como muito importante o chamamento de Jarbas para colaboração com a África e a região. “Esse chamado acende as nossas almas, corações e mentes para ajudar na construção de um mundo melhor, superando as crises econômica, social, política, sanitária e ética que vivemos na região; acende esperança para nós, como sanitárias, de poder colaborar para essas transformações. A saúde pode ser chamada como um espaço para construção de pontes para a paz”, destacou Buss. 

Em seguida, o seminário seguiu com as apresentações dos pesquisadores do Cris/Fiocruz Guto Galvão e Augusto Paulo Silva sobre as políticas resultantes da 30ª Conferência Sanitária Pan-Americana, realizada na última semana em Washington e onde foi anunciada a eleição de Jarbas, e da reunião da OMS-África que aconteceu em agosto em Lomé, no Togo.

Agência Fiocruz de Notícias