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Brasileiras mal alimentadas estão mais expostas ao HIV, diz estudo
Pesquisa utilizou dados do governo brasileiro sobre acesso à alimentação e uso de preservativos. Saiba mais.
Por Tina Szabados
A dificuldade de acesso à boa alimentação também está relacionada ao menor uso de preservativos no Brasil. A afirmação foi feita em estudo, publicado nesta semana, pela revista científica americana “PLoS Medicine”.
Segundo os autores do estudo, a “segurança alimentar” da mulher é um fator de proteção contra a transmissão do HIV, vírus que causa a Aids.
“Segurança alimentar significa ter acesso a comida suficiente para não afetar a sua vida”, definiu Alexander Tsai, da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, autor do estudo.
O resultado do estudo reforça pesquisas anteriores, feitas em países africanos que apresentaram resultados semelhantes entre os dois fatores.
A pesquisa levanta uma série de hipóteses para explicar a relação. Por um lado, a mesma pobreza que dificulta o acesso aos alimentos pode também ser um empecilho ao uso do preservativo. Por outro, a desnutrição também poderia ser uma causa para o comportamento de risco.
Uma terceira situação destacada por Tsai é a falta de controle sobre a relação sexual. Uma mulher sem segurança alimentar pode ser dependente de um homem para conseguir comida, e por isso seria muito submissa para se preocupar com o uso do preservativo. Na mesma linha, existe ainda o risco de que ela se prostitua para comer.
Por tudo isso, a conclusão a que o autor chega é a de que “a prevenção de HIV deveria olhar para fatores mais amplos” que a questão sexual. “Intervenções visando a insegurança alimentar podem ter implicações benéficas para a prevenção de HIV em situações com recursos limitados”, afirmou o artigo.
Embora a pesquisa tenha sido realizada nos EUA, foram utilizados dados de 2006 fornecidos pelo governo brasileiro sobre acesso à alimentação e uso de preservativos.